O Guia Michelin se mantém no topo do universo gourmet

O Guia Michelin se mantém no topo do universo gourmet com cem anos de história

Considerado um dos mais famosos guias internacionais de gastronomia, o Michelin há mais de cem anos é uma referência internacional por seu conteúdo elitizado. Lançado em 1900 pela Michelin – uma das maiores fabricantes de pneus do mundo na atualidade –, o guia foi distribuído como um brinde aos clientes que o recebiam na compra de seus pneus.

Naquela época, a França contava com pouco mais de dois mil motoristas para os quais o guia trazia informações de almanaque com endereços de oficinas mecânicas, postos de gasolina, farmácias, médicos, mapas e curiosidades.

Quase dez anos depois do seu lançamento, o guia passou a circular sem qualquer publicidade paga a fim de tornar-se independente e conquistar credibilidade. Nessa época divulgava hotéis e oficinas mecânicas para seus fiéis leitores. Em 1920 deixou de ser distribuído como brinde e passou a ser vendido.

Conta a lenda que André Michelin, ao passar por uma garagem, ficou irritado ao ver o eixo de um carro ser apoiado por uma pilha de guias Michelin. Para que a publicação fosse tratada com mais respeito, decidiu elitizar seu conteúdo e cobrar por ele.

Foi então que surgiu a avaliação de restaurantes por gourmands anônimos – critério que se mantém até os dias de hoje – que tornou famoso o guia, associando a marca Michelin a um guia de bolso para motoristas exigentes na hora de se hospedar e comer em Paris. Como consequência natural, os gourmets o adotaram como guia dos melhores restaurantes parisienses.

Em 1931, o guia cria sua famosa classificação de 1, 2 e 3 estrelas para apontar os melhores restaurantes. Além dessa peculiaridade, o Michelin é precursor dos atuais guias turísticos de bolso que circulam pelo mundo. As famosas estrelas dos restaurantes classificados pelo guia na realidade não existem. O guia atribui às boas mesas os macarons que nada têm a ver com as estrelas. Estas são usadas no guia para a classificação dos hotéis. Portanto, o mais correto é dizer que determinados restaurantes possuem um, dois ou três macarons do Guia Michelin.

O guide Rouge – de capa vermelha focado em hotéis e restaurantes – já vendeu mais de 30 milhões de exemplares desde a sua criação. Os de capa verde, tão famosos quanto os vermelhos, são guias de viagem. Ambos são facilmente identificados nos 24 países onde são publicados. Sua impressão é feita no mais absoluto sigilo e nem mesmo o número de sua tiragem é divulgado.

Os especialistas estimam que sejam impressos em torno de 500 mil exemplares por ano. O guia vermelho é dedicado à França, Bélgica, Holanda, Itália, Alemanha, Espanha, Portugal, Suíça, Grã-Bretanha e Irlanda, além de uma coletânea dedicada às principais cidades da Europa.Nos últimos anos foram incluídas edições específicas para Nova York (2006), além de Tóquio e Hong Kong (2008). O mais recente, lançado neste ano, é dedicado às cidades de São Paulo e Rio de Janeiro, tornando-se o primeiro Guia Michelin na América Latina.

Sempre à procura de novos restaurantes de qualidade, os “inspetores” do guia Michelin são clientes anônimos que visitam cada estabelecimento e sempre pagam a conta ao final das refeições. Cada prato é avaliado com base em cinco critérios: a qualidade dos ingredientes utilizados; a técnica de cozimento; a harmonização dos sabores; a relação preço/qualidade e a regularidade do serviço.

Os melhores restaurantes são destacados como Bib Gourmand oumacarons (estrelas). O recordista por manter três macarons, desde 1965, é o consagrado chef francês Paul Bocuse com seu restaurante em Collonges-au-Mont-D’Or, em Lyon. A primeira mulher a conquistar os três macarons do Michelin é Anne-Sophie Pic, chef do restaurante Maison Pic, na cidade de Valence, no sudeste da França.Considerado um dos mais famosos guias internacionais de gastronomia, o Michelin há mais de cem anos é uma referência internacional por seu conteúdo elitizado.

Guia Michelin Rio de Janeiro & São Paulo

 

Lançado em abril deste ano, o Guia Michelin Rio de Janeiro & São Paulo lista 188 estabelecimentos nas cidades do Rio e São Paulo, sendo 43 hotéis e 145 restaurantes. “Essa seleção revela o forte potencial do cenário gastronômico brasileiro, nas cidades do Rio de Janeiro e de São Paulo, onde os inspetores puderam descobrir cozinhas muito criativas, com produtos locais de qualidade e de grande diversidade, com ricas influências do mundo inteiro”, destaca o comunicado oficial do lançamento da edição brasileira do Michelin.

De acordo com Michael Elis, diretor internacional dos Guias Michelin, foram longos meses de trabalho antes da publicação do primeiro Guia Michelin no Brasil e América Latina. “Nossos inspetores encontraram restaurantes promissores que serão a base da cozinha brasileira dos próximos anos”, avalia Elis.

Nessa seleção, o restaurante D.O.M. foi contemplado com dois macarons. “O chef Alex Atala propõe uma cozinha rica, de personalidade única e altamente criativa, que valoriza os produtos tradicionais brasileiros, frequentemente pouco utilizados, alguns trazidos da Amazônia pelo próprio chef”, diz o mesmo comunicado que festeja o lançamento do guia no Brasil. O Dalva e Dito, outro restaurante do chef Atala, também se destacou, com uma estrela. Em São Paulo, dez restaurantes receberam sua primeira estrela nesta edição de 2015, como o Mani, Jun Sakamoto, Kinoshita e Kosushi, entre outros.

No Rio de Janeiro, seis restaurantes se destacaram com uma estrela. Um deles é o restaurante da chef Roberta Sudbrack, “que oferece uma cozinha brasileira moderna e autêntica, usando ingredientes locais, onde a mistura de texturas e sabores suscitam emoções únicas”, segundo os inspetores da edição brasileira. Outro contemplado foi o Olympe – instalado na capital fluminense desde 1979 – do chef francês Claude e seu filho Thomas Troisgros. Ao todo 25 restaurantes foram destacados com o Bib Gourmand (restaurantes que oferecem boa relação entre preço e qualidade) nesta primeira edição brasileira: 8 do Rio e 17 na capital paulista.

ESTRELADOS E BIB GOURMAND BRASILEIROS 2015

Duas estrelas – São Paulo
D.O.M. (Alex Atala)

Uma estrela – São Paulo

Attimo (Jefferson Rueda)

Epice (Alberto Landgraf )

Tuju (Ivan Ralston)

Maní (Helena Rizzo e Daniel Redondo)

Fasano (Luca Gozzani)

Huto (Fábio Honda)

Jun Sakamoto (Jun Sakamoto)

Dalva e Dito (Alex Atala e Luiz Gustavo Galvão)

Kosushi (George Koshoji)

Kinoshita (Tsuyoshi Murakami)

Uma estrela – Rio de Janeiro

Oro (Felipe Bronze)

Le Pré Catelan (Roland Villard)

Roberta Sudbrack (Roberta Sudbrack)

Olympe (Claude Troisgros e Thomas Troisgros

Mee (Rafael Hidaka)

Lasai (Rafael Costa e Silva)

Bib Gourmand – São Paulo

Mocotó

Esquina Mocotó

L’Entrecôte de Paris

Tian

Brasserie Victória

Sal Gastronomia

Antonietta Empório

Jiquitaia

Mimo

Ecully

Zena Caffè

Miya

Tartar & Co

Arturito

Casa Santo Antônio

Marcel

La Cocotte

Bib Gourmand – Rio de Janeiro

Lima Restobar

Miam Miam

Entretapas

Oui Oui

Restô

Artigiano

Pomodorino

Cais

A Marca Michelin

Uma das mais bem-sucedidas estratégias de marketing contemporâneo, a associação de uma marca com a qualidade de um serviço ou atividade cultural e esportiva, faz parte da história da Michelin desde a sua fundação, em 1888, pelos irmãos Édouard e André Michelin, em Clermont-Ferrand, na França, cidade na qual a empresa mantém sua sede até hoje. No Brasil desde 1927, a marca Michelin conta atualmente com quatro fábricas de pneus, em duas unidades industriais e três usinas de beneficiamento de borracha natural.

A primeira ação de marketing aconteceu em 1891. Édouard Michelin tomou a iniciativa de fabricar o primeiro pneu de bicicleta desmontável. Na ocasião, o ciclista CharlesmTerront, único a utilizar os novos pneus Michelin, venceu a corrida Paris-Brest-Paris. Logo em seguida, em 1900, foi criado o Guia Michelin. No início era mais um almanaque de generalidades como todos da época, mas em 1931 mudou seu editorial e tornou-se o primeiro guia de gastronomia respeitado internacionalmente.

Na atualidade, quem coordena os critérios e convida os misteriosos inspetores que visitam restaurantes no mundo inteiro é a dupla Claire Dorland-Clauzel, diretora de Marcas e Relações Externas do Grupo Michelin e Michael Elis, diretor internacional dos Guias Michelin.

Outra ação publicitária que chamou a atenção foi a participação da marca Michelin na Fórmula 1. De 1977 até 2006, a Michelin forneceu pneus à F1. Ao todo foram 217 grandes prêmios até ceder a exclusividade de fornecimento para sua concorrente Bridgestone. Algumas das principais escuderias da F1 foram patrocinadas pela Michelin: Ferrari (1977-1984), Renault (1977-1984 e 2002-2006), McLaren (1981-1984 e 2002-2006), Williams (1981 e 2001-2005) e Brabham (1981-1984). E não podemos esquecer do Bibendum, o mascote da marca desde 1898, que representa a Michelin em 170 países no mundo. Cases que fizeram e fazem a história da Michelin mundo afora.

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